sábado, 4 de maio de 2013

Capitulo sete...Aprendendo a ler.

Bom depois de muito tempo,voltei a pensar no que mais me preocupava,na hora em que meu pai iria me chamar,para que eu aprendesse a ler. Gente não é por que não gostasse,mais é que o método era muito doloroso,de inchar as mãos.Meu pai molhava e batia com a palmatória,era de rachar a alma de dor,a mão ficava tão grande ,que pensei será que eu iria aguentar tanta dor? Tava na hora de bolar um plano para me safar daquela agonia... Enquanto isso hia a missa,porque papai mandava já batendo,e o padre era um homem horroroso de ruim,sempre com um jeito de desdém nos lábios e parecia dono do mundo,mandava em toda a cidade,deixa estar ,pensei quando for grande e dona do meu nariz,ninguém mais vai mandar entrar na igreja.Pois se depender de mim ,pensei jamais ela me verá. Presenciei cada irmã que passava sentada naquela mesa e meu pai do lado com cara de carrasco e elas de vacas indo para o matadouro...Meu Deus,preciso achar um modo de fugir a isso,não tem jeito o negocio é entrar para estudar o catecismo e aprender a ler por ele,o que mais detestava.Teria que ter frequencia na igreja mais tempo,mais se era por uma boa causa....porque não? vamos a luta,ato de contrição,penitencia,confessionário e frequencia assídua na igreja,missa domingo de manhã,e vamos que vamos ler era preciso,pois era uma forma de defesa,fui uma boa menina naquele período,sempre atenta as vontades do meu pai.... Já estava próximo a minha vez de ser testada,estava pronta ,havia feito de tudo para aprender a ler,estava sem medo enfim era hora de encarar.. Naquela manhã,eu havia acordado cedo,peguei o balde de leite e fui até a fazenda Maia,buscar leite,pois era um pouco distante de casa.A estrada que dava para a fazenda não tinha uma alma por ali,podia ir bem a vontade pensando no que me esperava,pressentimento era demais,mas logo me acalmava pois estava firme no meu propósito. Vi a fazenda de longe e apressei o passo,logo pude enxergar na neblina da manhã 3 homens mexendo nas vacas,já na tiragem do leite.....Fui logo dizendo :Seu menino,pois era assim que a gente tratava alguem sem nome conhecido,o olhar do dito cujo caiu em cima de mim,pude observar que eram homens rudes sem modos no trato de voz cavernosa,mais traziam no olhar algo que não podia decifrar,sei-lá dor de tristeza ou saudade?bem deixa pra lá,após tirar o leite da vaca ,vi um outro vaqueiro limpando um cavalo com um buraco cheio de bicho e ele estava com uma pasta na mão enchendo aquiela ferida para matar devia ser,os bichos que comian a carne do cavalo vivo,era criolina em pasta.....eca ,era de da nojo,mas também dava pena dos bichinhos..voltei pra casa,papai já estava em pé,fervi o leite fiz cafe,depois de acender o fogo no fugareiro de ferro,era só pegar o carvão encher de papel no fundo e acender o fosforo,e vualá,prontinho ,abanar bem pra manter aceso...... Vamos a nossa chamada,fez a primeira já me coloquei a caminho,me posicionei ao lado e a cartilha do ABC ,já estava aberta..olhou pra mim,com aqueles olhos verdes de fazer medo...Pegou um papel em branco,fez um buraco pequeno e colocou diante da letra A....,que letra é essa? A papai...e essa? e fui respondendo,dai ele ficou desconfortável,se mexia na cadeira,eu olhava a palmatória ali quieta ,com raiva de não poder me bater... Estava firme,bom agora ele vai fazer o que??? Imagine o que quiser eu estava com medo,mas não podia demonstrar....tudo menos fraqueza. Meu pai apelou,começou a me fazer soletar,....O..vo...ovo...pa..pa...ta..ta;pata Ele parou me olhou de jeito e escreveu uma frase,agora leia,li tudo bem devagar,mais li.. Ai ,não via a hora daquilo tudo acabar. Ai veio a pergunta que não queria calar. -Onde a cunhazinha,aprendeu a ler?era assim que ele me chamava quando estava com raiva. Não sabia o que vinha a ser cunhã,mais achei que era palavrão em outra lingua,hoje eu sei que é de origem indígena e que é india menina. Respondi,eu aprendi na cartilha da igreja,estou estudando pra me batizar...há sei,você foi esperta,escapou dessa..pode ir,amnhã vai fazer sua matricula na grupo escolar,leva esse bilhete e entrega lá,diga que é pra matricular no primeiro ano forte. Que alegria ,vi um brilho nos olhos do meu pai,finalmente alguém deu um pouco de alegria pra ele..e tinha sido a menor pessoa da casa,,,euu.!